Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
- Zeca Afonso
Em 1971, é gravado "Cantigas do Maio" de José Afonso. Neste álbum, podemos ouvir ao tom dos cantares alentejanos, o lindíssimo tema, "Grândola Vila Morena". Segundo as palavras de José Niza:
" (...) Genialmente, José Mário Branco encontrou a solução do acompanhamento de Grândola, nos passos que conduzem a cadência alentejana da canção. Esses passos foram gravados à noite, por oito microfones estrategicamente colocados numa zona de cascalho que circundava o Chateau d`Herouville e que albergava o Strawberry Studio, (...) ".
É fascinante, notar na obra de Zeca Afonso, o carinho que nutre pelo povo e o desejo ao direito de igualdade entre todos os homens e mulheres. É confortante ouvir no talento deste cantor e compositor, o carácter utópico e idealista que o tornam carismático!
A utopia e o idealismo partem sempre de uma necessidade de encontrar o frescor da Liberdade, da Igualdade e da Verdade. Quando se fazem valer pela luta, pelo poder, maldizer, ódio e em casos extremos, condenar, castigar, prender, torturar ou matar; utopia e idealismo tornam-se insípidos e ganham todo o cheiro a mofo do dogma e do carácter institucional. O mesmo se sucede com a religiosidade conduzida pela culpabilidade, pela condenação e pelo medo, muito distante do re-ligar-se à Essência do Universo que é Amor.
O sérvio Emir Kusturica, no filme "Underground" de 1995, demonstra o ridículo do macabro nascido da necessidade doente de exercer poder, não tão assumida nesta sociedade pseudoliberal que assenta nas máscaras da diplomacia. O que é certo é que existem dois princípios distintos na natureza humana, a ânsia pelo poder ou a Alegria nostálgica do Amor.
Em 2006, Guillermo del Toro no "El Laberinto Del Fauno", filma a história de uma menina que vive no seu mundo de fantasia, quando submetida à tirania de um padrasto franquista. Podem tirar-se muitas impressões, incitadas por esta narrativa cinematográfica, como por exemplo, a liberdade interior conquistada, quando os impulsos de poder são ultrapassados e vivemos o regozijo do pensar unido ao nosso Íntimo mais profundo, surgindo assim um Novo Pensamento Livre, onde a prática da Fraternidade se torna uma realidade.
Helena Blavastky escreveu na obra de 1877, "Ísis Sem Véu", o Positivismo é a "religião" do futuro. Platão na "República", defende que a sociedade deve ser governada pelos Filósofos, os Amigos da Sabedoria.
O Positivismo, tal como a Filosofia só se conquistam, quando nos dedicamos e construímos a partir do Amor, ouvir a Voz do Amor é viver a ideia e não especular sobre ela, é ser um Pensador Livre, é emanar a doçura, é o praticar da Liberdade e quantos mais Irmãos Humanos viverem dessa prática, saborearemos uma Verdadeira Mudança em todas as estruturas da Natureza.
Certamente um dia, os ideiais produzidos pela especulação, embora especular até certo ponto, tem utilidade, deixam de ter sentido. É como tocar música imposta, ou a Música que nasce do Coração, há uma grande diferença, embora a técnica tenha a sua utilidade, aquilo que sai do Coração emana a Nostalgia da Beleza.
A vida é uma possibilidade muito bonita, muito positiva e se descobrirmos a Arte de Amar, isso sim é mudar o mundo e caminhar para a Justiça, tão desejada por muitos de nós!!!
Assim, podemos dizer, o Positivismo é a Religião, a Arte e a Ciência do futuro, vividos em Unidade pelos Amigos(Amantes) da Sabedoria.
A verdadeira governação é a dos Filósofos que emanam o seu Amor por tudo o que existe, mesmo que não sejam famosos, trabalham na sua Polis Interior e constroem a Evolução do Universo.
Queridos Amigos e Amigas, a vossa existência é motivo de grande gratidão!!! E é uma enorme Felicidade saber que o professar do Amor sempre existiu, existe e existirá!!!
- José Carlos Severino